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A cena underground está se renovando recentemente. Uma prova disso é o surgimento de novas bandas que mantêm a distorção dilacerante ao volume extremo !!! Uma dessas bandas é o ANTICHRIST HOOLIGANS de Florianópolis, Santa Catarina. Embora a banda tenha apenas alguns anos, seus membros tem uma longa trajetória na cena underground. Por exemplo, na batera O ANTICHRIST HOOLIGANS conta com ninguém menos que o grande Cristiano “KRANIUM” Passos fundador do lendário NECROBUTCHER. O blog, ESCARRO SONORO UNDERGROUND SCENE, entrevistou a ANTICHRIST HOOLIGANS GANG. Nessa entrevista eles nos contam sobre o surgimento da banda, suas influências e o atual cenário underground em Florianópolis e, sobretudo nos explicam o que vem a ser o METAL PUNK, pois é assim que eles se definem. Vamos à entrevista.
E. S: Contem um pouco sobre a formação do
ANTICHRIST HOOLIGANS.
Andrey – A banda começou como uma idéia de
apenas nos reunir e fazer um som que curtimos, não tínhamos nenhuma pretensão
inicial de nos tornar uma banda, e nem imaginaríamos que em tão pouco tempo
teríamos uma repercussão tão positiva e com parceria da gravadora Hammer of
Damnation. Isso tudo aconteceu de forma natural, claro que não posso deixar de
mencionar que umas das principais razões para a visibilidade da banda é ter na
banda membros do Necrobutcher e Osculum Obscenum, isso com certeza abriu muitas
portas.
E. S: Cris, você poderia apresentar a moçada que
está compondo com você o ANTICHRIST HOOLIGANS?
Cristiano – Então, Samuel, além de mim na
bateria, tem o baixista Andrey, que foi o cara que reuniu a banda, pois foi o
primeiro a ligar pra todo mundo e fazer os contatos. Sem essa iniciativa dele,
talvez a banda nem existisse. Daí tem também o Guilherme, grande guitarrista
que tem uma veia thrash/death muito boa, além de uma grande criatividade para
os riffs, tanto que as principais composições partem inicialmente da cabeça
dele e, por fim, o vocalista Diego, grande “performer” que consegue injetar na
galera que vai aos shows uma puta dose de adrenalina, característica que tem
contribuído pra banda se destacar no cenário. Em resumo, cada um dá sua
contribuição importante pra Antichrist Hooligans ser o que é.
E. S: Porque escolheram esse nome e o que
representa ANTICHRIST HOOLIGANS??
Andrey – A idéia do nome da banda foi do
Cristiano, tivemos várias idéias e um nome anterior a esse que ficou no início
da banda, que era The Blasphemers, também idéia do Cristiano. Com certeza, o
Cristiano responderá melhor, já que o ‘dono da bola’ é ele ehehehehehehehehe.
E S: Pelo que estamos acompanhando o A.H. já
está pegando uma boa bagagem de shows poderia contar como foram alguns deles? O
que representaram para vocês?
Andrey – Tá sendo massa... nosso primeiro show foi o
Necrolust Festival I, no dia 19n de fevereiro de 2011, foi um show memorável,
por ser o primeiro show foi cercado de nervosismo, mas acabou sendo um show
perfeito. Depois tocamos em festivais organizados pelo Fernando Mahatma da
Banda Sin Rejas e do Ricardo da banda Sengaya, esses festivais foram muito
massa, pois reuniam bandas de metal e bandas punk, foi com certeza um festival
pra unir novamente essa raça, que infelizmente por ideologias se separaram em
meados dos anos 90, mas o Fernando Mahatma e o Ricardo Ullrich conseguiram resgatar
novamente a união de Punks e Headbangers, afinal todos nós fazemos parte do
Underground.
Guilherme – Estamos
adquirindo uma boa bagagem de shows mesmo... eles representam a maior
satisfação pessoal que uma banda pode esperar. Ver a galera curtindo e agitando
nos nossos shows não tem preço.
Cristiano – Até agora, os shows têm acontecido e têm nos
servido muito como aprendizado, pois uma coisa é ensaiar com os amigos e outra
bem diferente é tocar ali na frente de todo mundo e transmitir aquela energia
real que faz a raça querer bater cabeça e exorcizar os seus demônios nos shows.
Enfim, ainda bem que tudo tem dado certo e os convites têm surgido com certa
frequência para uma banda nova como a nossa, além de termos recebido respostas
muito positivas em cada apresentação.
E. S: Cris, você fez parte do grande NECROBUTCHER
poderia dizer qual a diferença entre o NECROBUTCHER e o ANTICHRIST HOOLIGANS? O
prazer é o mesmo? Qual a diferença em termos de estrutura de 1989 para 2012?
Cristiano – Bem, basicamente, a diferença principal está na
maturidade da banda, pois o Necrobutcher, apesar de todo estardalhaço que
causou no underground na década de 1980, era uma banda de adolescentes cuja
motivação maior era fazer o som mais brutal, barulhento e agressivo possível.
Hoje, a Antichrist Hooligans é formada pro veteranos, todos entre 33 e 38 anos,
com outras experiências na vida. Assim, não é nossa intenção ser a banda mais
barulhenta ou rápida de todas, não estamos competindo com ninguém, mas somente
fazendo o som que curtimos fazer e ouvir. Quanto ao prazer de tocar, é o mesmo
sim ou até maior, porque hoje me sinto mais à vontade para simplesmente tocar e
não me importar nem um pouco com opiniões alheias. Na época do Necrobutcher,
opiniões alheias mal-intencionadas eram vistas como um estímulo para ficarmos
ainda mais agressivos, o que não acontece hoje em dia, pois não faz mais
sentido ficar dando ouvidos a quem não entende o que faço. Agora, logicamente
que a grande diferença da Antichrist para o Necrobutcher está nas condições
materiais de que hoje dispomos. Naquela época, pra tocar tinha que ser
guerreiro mesmo, pois não se tinha instrumentos bons, não se tinha aparelhagem,
como amplificadores e tal, que eram emprestados (e tinham que ser devolvidos a
cada ensaio...lembro que, somando os trajetos de ida e vinda, caminhávamos umas
três horas carregando uma caixa amplificada pesadíssima), microfones bons eram
raridade, além de serem caríssimos. Então, na real, a gente não tinha dinheiro
e não havia mesmo estrutura decente para bandas de som pesado, como pedais,
guitarras, estúdio ou coisas do gênero, assunto do qual tu, Samuel, entendes
tão bem quanto eu, certamente. Enfim, essas dificuldades não nos impediam de
fazer nada, mas hoje em dia eu não sei se teria o mesmo pique pra encarar
tantas dificuldades. O mais importante, entretanto, é que hoje minha cabeça
está melhor e acho que essa segurança psicológica é fundamental. Quem dera eu a
tivesse na época do Necrobutcher, hehehehe.
E. S: Fora o Cris, todo o pessoal do A.H. tem
experiências anteriores ou sejam tocaram em outras bandas?
Diego – Black Christ (1993-1995); black
metal
Caibalion (1995-1998); black metal
Masochrist (projeto paralelo/ 1997-1999) cyber black
war metal
Osculum Obscenum (1998-2008) sado
grind black metal
HellFuckers (2011…) crust black metal
Andrey – Eu comecei a tocar guitarra com 12
anos de idade, por influência do meu irmão, mas nessa época eu conheci o Thrash
Metal e tinha mais noção sobre a música, então formei uma banda de Thrash
chamada Hard Face, em 1991, com mais um amigo da escola, ensaiávamos no
intervalo do ensaio da Banda Asphyxia, o baterista da banda, Zezão, emprestava
sua destruição na bateria para a banda... depois entrou um baterista da nossa
idade, mas a banda não foi longe. Toquei em 92 a 93 com a Platonic Hate,
crossover, 93 com a Anal Putrefaction, Splatter, 93 com o Marcha Fúnebre, 95
num projeto de Splatter/noise e em 2010 na Antichrist Hooligans
Guilherme – Apesar de gostar de METAL desde a
metade dos anos 80, só comecei a tocar guitarra em 1995. A minha primeira banda
foi a MORBUS INFERNO (Thrash – 1997)... e após ela passei por diversas bandas
de diferentes estilos dentro do METAL como BURN (Heavy em português),
POWERSTEEL (Power), GARDENIA (Hard Rock), MONSTER TRUCK (Thrash), THE FACE
(Thrash), MISTER TWISTED (Hard rock), MONTTANA (Heavy em português).
Atualmente, além da ANTICHRIST HOOLIGANS, toco na SODAMNED (Death Metal - Guaramirim
– SC).
Cristiano – Eu toquei no NECROBUTCHER (1988-1990),
SUBVERSIVE REEK MUTE PERTURBATION (S.R.M.P., Grindcore, de 1990-1992), além de
ter passado por diversos projetos paralelos nessa época, como PARESTHESIC
NEURODEFORMITIES (Noisecore total, na linha 7MON, Industrial Resistance, Crawl
Noise, FOG), WIRELESS HELOT (Death Metal), THE SATURDAY (grind/thrash na linha
Majesty, Nausea, Deathstrike, Cremation), PSYCHOPATHIC NARROW (um som
inclassificável, psicodélico, improvisado, de cunho existencial, influenciado
por Godflesh, Gore (Hol), Big Black, Einstuerzende Neubauten e outros sons
diferentes) e SCRAPPY SCREWS ORCHESTRA (Harsh Noise experimental feito com
ruídos diversos, loops, instrumentos infantis, moedores de carne velhos, violão
desafinado e com pedal, fitas cassete rodando de trás pra frente, tudo que a
gente encontrasse pra experimentar). Todos esses projetos ocorreram entre 1989
e 1992. Depois disso, embora continuasse ouvindo metal e punk, me afastei um
pouco da cena, que tava muito saturada, e tive outras experiências musicais,
geralmente tocando música sem fronteiras estilísticas e de improviso, mas nada
sério, entre 1994 e 1998, mais ou menos. Em 2005, voltei a mexer com música,
mas tocando teclados com minha esposa em casa e, depois, em 2007, comprei uma
bateria, voltei a tocar em uma banda de som popular de boteco (brega) e,
finalmente em 2010, nasceu a ANTICHRIST HOOLIGANS.
E. S: Como vocês vêem a cena Underground atual?
Vocês se consideram METALPUNK, o que é o METAL PUNK?
Diego – Em minha opinião, o termo está sendo
muito usado agora, mas nada mais é do que o ressurgimento do espírito do antigo
underground, pois toda essa merda moderna está acabando com o que se poderia
chamar metal. Acho que não é preciso copiar o som das bandas antigas, e sim o
que é preciso é ter mais atitude e ser menos tolerante com certas coisas. É o
metal feito de forma mais agressiva e primitiva, como faziam as grandes velhas
bandas punk, que foi de onde surgiu toda a essência da violência sonora do
metal extremo.
Guilherme – A cena underground, a meu ver, está se reestruturando novamente. O
pessoal está se unindo e tem organizado bons eventos. Aqui em SC a cena é
forte, grandes eventos estão sendo organizados, boas aparelhagens e com todo
mundo se ajudando. Nós nos consideramos METAL PUNK sim. Tanto pelo lado musical
(influências em algumas músicas nossas e tbm porque ouvimos muitas bandas
nesses estilos) como pelo lado pessoal, porque compartilhamos idéias que vão ao
encontro da ideologia METAL PUNK (protestos contra podridão política que assola
nosso país, desigualdades sociais, violência, etc).
Cristiano – Acho que tem muita coisa boa no Underground
ainda, apesar dos mais apocalípticos dizerem que o Underground morreu, que não
tem mais nada legal como antigamente e coisas do gênero. Porém, acho que é tudo
uma questão de saber filtrar todo esse material que rola por aí, porque existe
uma cena atuante, formada tanto por veteranos quanto por gente mais jovem
interessada em manter a história do Underground viva, bem como em trazer novos
horizontes à cena em meio ao desenvolvimento tecnológico. Quanto ao termo
METALPUNK que utilizamos pra definir nosso som, na minha concepção, é só uma
forma de simplificar as coisas, já que a essência do nosso som se encontra no metal
e no punk. Na real, acho que estamos cansados de ver tantas denominações de
gênero e subgênero se proliferando e não queremos que a essência se perca em
meio a tantos nomes.
E. S: Do que falam as letras do ANTICHRIST
HOOLIGANS? Quais as questões que a banda levanta?
Diego – Se depender de mim, sempre será sobre
anticristianismo, destruição do mundo, sexo, violência e satanismo.
Cristiano – Também há uns temas sobre a vida
underground, histórias relacionadas a esse verdadeiro “way of life” em que
atuamos, como “Heavy Metal Attack” ou “Nuclear Beer Drinkers”, por exemplo.
E. S: Em Santa Catarina há uma cena com bandas
irmãs do Antichrist Hooligans?
Andrey – Sim, aqui em Florianópolis temos os
irmãos das bandas Skombrus (Thrashcore) bem na linha oldshcool, Sengaya
(grindcore), Sin Rejas (Hardcore), Homicide (Grindcore), Lethal Machine (heavy
Metal), em Itajaí temos os irmãos da banda Battalion (Heavy Speed Metal) na
linha oitentista, muito foda essa banda, em Rio Negrinho, a banda Carrasco, que
faz um Death Metal old school fodástico.
E. S: Ao final, o que vocês gostariam de dizer e
que não foi perguntado nessa entrevista?
Andrey – Agradecer a oportunidade de poder
responder a entrevista e dizer que logo saíra nosso primeiro álbum pela
gravadora Hammer of Damnation, do grande amigo Luiz que acreditou na banda e
esta dando essa oportunidade de mostrarmos um pouco do barulho que fazemos...é
isso Samuel, valeu mesmo, forte abraço.... e a todos: Keep your mind sick.
Cristiano – Samuel, acho que é isso que o
Andrey já disse: valeu mesmo pelo espaço! Aproveito pra agradecer também ao
Luiz, da Hammer of Damnation (www.hammerofdamnation.com.br)
pelo apoio fundamental que estamos recebendo em tão pouco tempo! Estamos
empolgados com essa história de ter novamente uma banda que faz um som pesado e
brutal do jeito que todos nos gostamos, sem aquela velha preocupação de ser
mais isso ou mais aquilo. É simplesmente fazer um barulho que possa combinar
tudo aquilo que sempre ouvimos, de Motörhead a Sore Throat, de Assassin a
Discharge, do rock’n’roll cachaceiro dos anos 70 à crueza do Hellhammer, ou
seja, um som sujo, pesado e orgânico como nos velhos tempos!
Grande Samuel, muito massa tua iniciativa de colocar na rua esse blog, ainda mais sendo tu uma figura importante da cena mais underground do país, pela tua história e contribuição à cena! Valeu pelo grande apoio a nossa banda tb e pela honra de sermos uma das primeiras bandas a aparecer nessas páginas, depois da lenda Masturbator! Abração e sucesso!
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